SONETO DAS EMBARCAÇÕES

São mares de mim bravios e remotos
Em que nenhuma embarcação resta
Em que caem portos, desmoronam naus
De fúrias e constelações, perdidas guias

E em cais não se ancoram, em nós soltos
De tempestades e atrozes símbolos
De carnes e sal que em bocas são água
Que no corpo é falsa sombra de espera

Turvam-se bússolas, perdem a proa
E singelas facas que desatam convés
Cortam a carne, atira-se ao fundo

Os mares de mim são profundos
Escondem dragões e cavernas,
De escureza perene, servil, de almas torpes
[e vícios.

(Leandro Rodrigues)

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