Poema (17) de Nilcéia Kremer

alice-john-monteiro

Imagem: John Monteiro

 

Alice

 

Alice tem uma peça sem encaixe
lego, prego, parafuso
um descontínuo
desatino
febre ao acaso
.

.
Uma tachinha no calcanhar
uma anormal idade informal
inferno na língua
do mar estrelas
no céu da boca
.

.
De manhã após os delírios
diluídos em chá
de comigo ninguém pode
sai a regar o jardim de lagartas
que florirá em asas
e será morada para a joaninha
salva todo dia na água do chuveiro

.

.
Alice afaga leões (mais de um por dia)
e envolve-os em mantras da sorte

.

.
Ela fez um inventário
para cada otário um invento
que dissolva ecos
possivelmente danosos
.
.
À noite com conchas no ouvido
ela fecha os olhos bem forte
para que nenhum colírio perigo
penetre em suas pupilas da sorte
e cegue suas miragens

 

Nilcéia Kremer

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