[sei que a dimensão da noite…]

sei que a dimensão da noite se contorce no teu corpo
pousando o que resta dele em estilhaços de carne a espumar

sangue emaranhado na vaidade dos órgãos do ar da pele
das entranhas por rasgar até à boca espantadíssima

e a boca roda por dentro as luzes das estrelas finas apagando-as
junto às fulgurações dos astros

e as mãos enroladas nos pedaços de terra dão vida a outras noites
violentas noites que cospem feras altamente perigosas

debruço-me agora na tecido da abóbada misteriosa onde gravita
a incandescente lua impressa nas manchas dos corpos
esquecidos de se amarem como cartas de amor louco

vogando no fundo do coração a bater no outro coração
é como correrem sonolentos para encontrar
a nova paixão o novo amor

e teço infeliz os fios junto aos dedos com os ossos de tinta
queimada a moverem-se como répteis a dolorosa
e triste obra que sou

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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