[entre a verde neve…]

entre a verde neve e os cabelos solares que modelam a densidade
das palavras embatem as crianças complacentes quando cercam
os prados num incêndio genial

e durante a noite dormem encostados ao seu reflexo na solidão
por despontar enquanto acabam o que nunca começam por fora
da sua memória

essas crianças perdem-se nas vagas de chuvas torrenciais
mas indiferentes evaporam-se facilmente com tanta neve verde

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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