TEMO QUE A NOITE AVANCE

Temo que a noite avance
sólida, concreta.

A destreza de uma rua —
A dureza do edifício —
O abandono de uma esquina.

Temo que a noite ilumine
diáfana, desperta.

Um grito do vizinho acordado,
sincronizado, em um outro bairro,
à coragem do suicida que em breve finda.

Temo que a noite precipite
derradeira, predadora.

O corte da alcatra para a janta
não tem o frio de mil facas
sobre a coberta molhada na calçada.

Temo que a cidade esqueça
obscura, encoberta.

A arte abstrata deste canto
ofuscada enquanto o sangue descoberto
tempera a culpa transeunte nas veias do concreto

e
acabe
a
q
u
i
mesmo
Ω

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s