[pedisses para me deitar a teu lado…]

pedisses para me deitar a teu lado movia as frescas palavras
que sobem num vapor de maresia na tua língua em anilha
quem sabe

por cima da boca esquecida há tempos enquanto noutro gesto
de águas por trás suave desprendo as estrelas azuis ouro
daquelas labaredas minerais que nos escolhem para romper
as dobradiças das nossas costuras biológicas

e transfiro-as para o soluçar da barriga como a anunciar
a pulsação de um sereno beijo que se desdobra ainda tímido
e impaciente.

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

 

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