DO DESEJO IMPOSSÍVEL

Refúgio vazio, o peito
abre-se, jaula inútil.
Inumana vontade,
querer sempre mais.
Montanhas e vales
em instante eterno
fitam o desejo
pairando sobre tudo
e o outro (que sou),
agora dissoluto.

Voragem sobre a terra,
caos de mitos em conflito,
cerração vagarosa,
mãos em pausa de toque,
surgindo.

Aquilo que vem a ser antecede nomes
(as coisas não usam som)
carece nenhuma palavra,
nem noite, nem casa,
corpo sem nada.

Resta apenas vento-sem-palavra,
murmúrio-brisa, segredo óbvio.

O impossível volume do desejo.

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