NENHUM COM NOME

Nada guarda minha carne da sua casa.
Confortáveis mentiras,
estiletes de luz sobre o frio das estantes,
assombros de normalidade,
quimeras suburbanas,
dentes perdidos,
epitáfios esquecidos
entre manchetes e ofertas de eletrodomésticos.

Outro corpo me abriga,
uma bruma de vontade,
uma biga de imagens,
ora impulso,
ora viagem,
ora morte,
minaretes de realidade.

O corpo aberto no coração da via,
tudo mais deserto.
Dispenso aos coiotes a manhã inteira,
estou vivo, mas nada sinto do ar que me atravessa.

A magia infância, amarelos fatos empilhados,
os olhos e sol descolorindo nomes,
números,
documentos,
tudo mais que deixei não sou eu.

O corpo, a casa e outro:
intermédio de asa,
incêndio que passa,
muitos na praça.

Nenhum com nome.

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