[tu serias um homem para sorrir…]

tu serias um homem para sorrir com uma flauta a escorrer nas veias
e essa flauta sinto que mudaria a tua vida
os aromas íntimos da natureza
cantariam novos timbres de deslocar as estações e o espaçamento
dos anos
depois todo o fluxo de imagens relaxadas e ouvintes
encantariam as águas brancas
vejo a tua alma de homem a suspender-se na dor rasa
dos obscuros objectos sem sensação sem tristeza sem idade
por vezes penso no perdão
e desfaço o sangue doutros homens lá por dentro na sua força
para a razão das coisas mortas
pensava como o silêncio é tão genial
e numa torrente de abraços amigos
gritavas
à voz de plumas
os homens mortos tinham agora a paciência
para te ouvirem a erguer do oco túmulo
uma voz complacente cristalina
alegre
.

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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2 ideias sobre “[tu serias um homem para sorrir…]

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