A Cirurgiã

cirurgiã

Imagem: Pinterest.com

 

Desde pequena,

Ela abria, com prazer,

Corpos e máquinas.

Buscava expurgar

Rapidamente

A graxa delicada

Grudada

Nas costelas

E no aço.

 

Na adolescência,

Conseguia

Recortar com precisão

Pequenos grãos de sombra

Que subiam nas costas

E se reproduziam

Nas engrenagens

Quentes e sem

Perdão.

 

Na maturidade,

Suturava esquinas

E joias peroladas

Sempre esquecidas

No esôfago e, por vezes,

Nos pés arrastados

Sem pena ou raiz.

 

 

No leito de morte,

Ela só lembrava

Do gosto de morango

Fresco

De quando abria estômagos

E arrancava paredes

Quase invisíveis

Que impediam

A colheita

Silenciosa

Da alegria.

 

Márcio Leitão

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