[ouvisse crescer as falhas da relva…]

ouvisse crescer as falhas da relva ou o seu carácter
em olhos bem abertos verteriam farpas cor-de-rosa fogo
aspirando a terra lúcida como um trovão enorme e melancólico

ao relento
furaria as tripas das chuvas cruas num corrosivo olhar
desfiguraria todo esse calor e corrosivo ninguém me bateria
nas lágrimas de resina porque iriam demasiadamente alto

dispunha daquele lume inexplicável

o sol sorve agora os frutos esféricos
até os fazer entrar nesse aroma escorregadio só por cima
como orvalho a cortar por dentro a matéria absoluta
e ouço-a para morrermos na relva um do outro

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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