[toda a palavra é a luz…]

toda a palavra é a luz esquecida que estremece a todo
o nosso esquecimento como uma substância lúcida

e a voz nas mãos repousa no silêncio dessa substância dedos
acima

a palavra
vagarosa ainda a crescer insegura ou feroz roda a sua incoerência

faz uma pausa entre os dedos e a esferográfica por baixo
dos dedos
em cima está envolta numa tinta escura ou clara tanto faz

a palavra agora amável senta-se na escuridão em anel e o líquido
rachado por dentro da tinta sai ao mundo com o nome do medo

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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