A Costureira

costureira

Imagem: Pinterest.com

 

 

Ela enterrou

Cuidadosamente

Os retalhos

Em algum lugar secreto

Do ventre.

 

Tentou sempre

Costurar nascentes

Em volta do umbigo

Como raiz desfolhada

E sem pátria.

 

Ela coseu pedreiras

Sem dureza

Apenas passava agulha e linha

No ralo da noite

E no pé das crianças,

Armadilha sem orifícios

E escadas.

 

Cerzia bainhas

De luas afoitas

E de choros

Inquietos

Até caberem

Todas as agulhas

Do mundo

Em cada esfinge

Partida.

 

Mas ela nunca conseguiu

Remendar o líquido

Claro e quente

Que transborda

Diariamente

Da nossa encosta

De olhares

Entulhados.

 

Olho sem casco

Pra andar.

 

Márcio Leitão

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