CLARA MANHÃ SEM NOME

quando a vi, junto com um montão de estrelas,
sorri, mesmo sabendo a cinza na sarjeta.

e toda a profusão de coisas acontecidas
e sem sentido partiram, sumiram na escuridão.

o poema surgiu, sem palavras, sem infinito
e sem a mão do poeta.

pura gênese de sentido, não sabia bonito
ou feio ou mecha ou fio de cabelo.

um impulso, um anseio, um minuto,
antes não havia — esqueci — o acontecido confundia.

a vida, nada mais que uma gíria grifada
no muro, acontecia em ondas de dispersão.

sem memória ou deixa, sem rumo ou sonho,
a vida acontecia em silêncio, sem os olhares da multidão.

noite dentro da noite, sombra dentro da sombra,
a garoa apagava as marcas dos carros, em sua volta, voz e clarão.

clandestina do acontecimento de galáxias, você acontecia
e era mais brilhante que todos os nomes naquele instante.

clara manhã sem nome, no meio da noite,
acende a vida de liberdade,
depois
some.

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