eu e nenhum poema (Poema de Nathan Sousa)

rosto

Imagem: Pinterest.com

 

eu e nenhum poema

 

olhe para mim.

não tenha medo.

 

sou aquele que espera

pela companhia do que não há

para apreciar as ruínas do futuro

sob o solstício taciturno,

segredando suspiros desolados.

 

sou aquele que refinou o sal

que havia em seu mar,

despertando o oceano adormecido,

e o sal mostrou seu poder de perpetuação infinita.

 

olhe para mim. coragem!

sou aquele que expõe

as costuras do verbo

como peças de um museu indiferente,

abrindo as portas ao público pálido.

 

tenho o rosto carcomido pelo tempo

e carrego nas costas

marcas de inocência apedrejada.

 

sou a luta dilacerando o próprio rosto.

eu sou o oposto.

 

Nathan Sousa

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