[toda a planta cria um apaixonado…]

toda a planta
cria um apaixonado perfume que vem da força interior do caule
tremendo os dias
sem uma única escuridão
é dela que vem o rasgo de todas as cores
quando anoitece
a planta coroa o céu azul celeste
com a lua
e deita sobre a terra verde
muitíssimo verde selvagem
as estrelas dançantes
com a sua luz aberta virada para a terra como a golpear as ervas
de fogos
depois a seiva estremece as fibras rompendo
com as tremendas águas onde o seu firmamento
encharca
os pinhais de marfim e as águas queimam o fogo
à volta da sua massa em ferida
ou onde a sua espessura saltita paisagem adentro
no movimento rápido
e primitivo
porque toda a planta respira ligeira a beleza
sorvendo o tecido das coisas iluminadas
e deitamo-nos
lentamente nesse brutal perfume apaixonante

 

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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