Ode para engomar (Poema de Pablo Neruda)

mar neruda

Imagem: Pinterest.com (Werner Knaupp)

 

Ode para engomar

 

A poesia é branca:

sai da água envolta em gotas,

enruga-se e amontoa-se,

é preciso estender a pele deste planeta,

é preciso engomar o mar com a sua brancura

e vão e vêm as mãos,

alisam as sagradas superfícies

e assim se engendram as coisas:

dia a dia fazem as mãos o mundo,

une-se o fogo ao aço,

chegam o linho, o algodão, e o cotim

da faina das lavanderias

e nasce da luz umz pomba:

a pureza regressa da espuma.

 

Pablo Neruda

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