O Ascensorista

elevador

Imagem: Pinterest.com

 

Sísifo urbano

Que

Sobe

E

Desce

Carregando

Restos de palavras

E pilhas de silêncio

E carne.

 

Botões a encardir

A alma.

 

Sobe!

Ao primeiro

E ao décimo

Dissecando rostos

E poeira.

 

Primeiro!

Abre-se

Boca

E vultos

Impregnados

De concreto

E cegueira.

 

Décimo!

Abre-se

Dentes

Por onde

Escorrem

Ternos escuros

E perfumes

De mármore.

 

Desce!

Números

Em contagem regressiva

Apontam

O deserto vertical

Feito de memórias

Retalhadas pela pressa

E pelos restos.

 

Rostos, postes e risos

Se embrulham

Acasalam

E se esvaem

Até o Térreo.

 

E o Nada explode

Em mais nada

E mais nada

Se repete.

Sobe!

 

Márcio Leitão

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