Um poema para Sabina

sabina

Imagem: Pinterest.com

 

UM POEMA PARA SABINA

a cartografia do teu corpo
desenha uma estrada
para não chegar
e ainda assim me ponho em ti
como um suicida furioso
na esperança de estar iludido.

quando cair no teu abismo,
pélago que me irmana ao bicho,
e sentir tuas asas não como céu
mas como o precipício do meu túmulo,
olharei para a minha caveira,
eu, alheio a mim finalmente,
e te verei dentro das minhas órbitas
igualmente a como te enxergo,
nos meus sonhos, dentro de janelas,
esperando a minha volta.

quero, agora, a intempestiva leveza dos teus olhos
repousando, acanhada, sobre os meus
mirando, não a presa que se descobre presa,
mas o caçador que se descobre, num espanto,
a causa mesma da fome.

a estrada escura, penumbra-guia,
que engenhas como um tango
sabe a um disfarce, à casca de ti
e não me enganas.

tu sois Sabina,
e já me eduquei nos teus gestos
nos teus olhos, nos teus silêncios.

és a minha estrada
para não ir.

Felipe D’Castro

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