Poema (3) de Nilcéia Kremer

camisa de força

                                                               Imagem: Pinterest.com

salpiquei de lua tua casa
pra marcar a entrada pro meu coração
desviei de coiotes
eu que nunca soube ser contida

passei a uivar palavras ao vento
camisa de força alguma daria conta do recado
recatos estes que apregoam não me pertencem

a travessia é menina moça em minha pele
vai de um lado ao outro
faz calos nos pés
deixa cicatrizes de maresia
e peito em brasa

aguardo o eco
como o sinal vermelho de todo mês
tenho mastigado os silêncios
erva cidreira de quem espera
enquanto as heras não param de crescer

 

Nilcéia Kremer

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