[espera-se um obscuro dia a mais…]

espera-se  um obscuro dia a mais
a percorrer os nervos sonolentos que tremem
sem mais nem menos

como um cais portuário onde aportam os navios fantasmas
que nos espiam e adormecem no espelho por embarcar

assim flutua o dia que nos cai a ferver por fora da alma
e derivamos na muda solidão

 

filipe marinheiro, in «noutros rostos», chiado editora 2014

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