O Caçador (ou A Caça)

caça

                                       Imagem: Pinterest.com

 

Em dia de caça,

Ele engoma os olhos

Com restos de outros olhos

Pedras e pântanos

A rasgarem as paredes.

Ele perpetua os sons das unhas

A riscar os troncos e os braços

Como música

Cortando o suor

E o asco empoleirado na terra.

 

Em dia de caça,

Ela acorda de olho vidrado

Como um dia a mais,

Com pontas de carne

A entorpecer a preguiça

E a prole.

Ela aponta o horizonte

Lambendo o amarelo

Como se fosse só mais

Um dia de precipício.

 

Em dia de caça,

Ninguém comanda o andar

Ninguém espreita a ternura

Ninguém pensa em morrer

A não ser no milésimo afiado

A bala

A não ser na chegada

Assustada

Do vermelho.

 

Márcio Leitão

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