OLHAR E CENTELHA

A janela semicerrada,
tão perto

– escuta –

pouso de ave, silêncio na alma.
Essa chuva,
rumor de palmas na rua lavada
frescor da água no agora.

Isso que digo está na tarde,
perpassa o tempo,
arde dentro da carne
uma delicada pronúncia

Isso que digo

– escuta –

tem som de pele
na ponta dos dedos,
o tranquilizante curso dos seus pelos
no mundo sem gravidade
de abraços e aconchegos
aquela água envolvendo as folhas das árvores.

Isso que digo

– escuta –

não sou eu,
não tem meu nome,
ou tempo
ou memória,
antes relento

– escuta –

não há nomes entre as janelas,
a ovação da chuva
anuncia o entreato
no palco molhado lá fora.
Cenário sem pano de drama,
a música molhada da saudade
invade a tarde
rompe as costelas
arde com a noite

– escuta –

Olhar e centelha.

Anúncios

Uma ideia sobre “OLHAR E CENTELHA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s