Despedir-se

despedida.jpg

Foto: Márcio Leitão

                                 à Lisboa e aos amigos de Lisboa

Despedir-se

Das certezas

Do Chão

É ter todas as pegadas

De volta

É por lupa

Na geologia

Do olhar:

Cortar esquinas

E bicos de prédio

Como se fossem

Pele

Nos embrulhando

Junto com a cidade.

 

 

Despedir-se

Dos ombros

Do cotidiano

É ter as ausências

A remoerem-se

Nos desvãos

Empoeirados

Do azul.

 

Despedir-se

Dos corpos diários

É mais do que

Perder rostos

E silêncios

Geográficos

É mais do que

Arrancar

Paisagens de carne

De todos

Os horizontes

É mais do que

Não ter mais

A colheita

Das palavras.

 

Despedir-se

Pode ser apenas

Uma espécie

Quieta

De solidão.

 

Márcio Leitão

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2 ideias sobre “Despedir-se

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