O Sonâmbulo

sonambulo

Imagem: Pinterest.com (quadro de Anthony Cudahy)

Na noite de sábado

Pensou em costurar paredes

Em volta de si

E de seus filhos.

Pensou em acorrentar

Cada língua gasta

No silêncio dos monitores

E das telas

Espalhado

Por confins do peito

E das janelas.

Na noite de sábado

Julgou saber mais que

Os crocodilos

E os abutres.

Na mesma noite

Ignorava

Como arma

Seu pote de mel

Frente ao muro de pelo

E de garras

Que se ouvia

Na distância precisa

Do dia seguinte.

Na noite de sábado

Ninguém dormiu

Sem fúria e sem aflição

Todos entraram cedo

Para os bueiros

Inquietos

E explosivos,

Esperando

O dia acontecer

E o Tempo

Se erguer

Mais adiante

Ceifando

Grama, flor

E ervas daninhas

Como sempre fez

Na História

Dos jardins.

Márcio Leitão

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