Novo Instante (Poema de Nathan Sousa)

espelho

                                                                                      Foto: Pinterest.com

NOVO INSTANTE

 

                          Para Carmencélia

 

 

Deparo-me

novamente

com um espelho

 

e mais uma vez,

no mesmo instante

do reflexo,

dá-se o espanto.

 

– Como posso ser tantos

e tão outros,

sendo apenas eu? – pergunto.

 

Mas perguntar a quem,

se entre o que vejo

e o que penso de mim

não há mais ninguém?

 

(Há um ‘eu’

e eu não

o reconheço

como sendo meu)

 

Mas se ainda penso

– e se o que vejo

não corresponde

ao que conheço –

falta-me

(talvez)

outro modo

de invenção.

 

Ou será que eu

é que sou

– como As meninas,

de Velázquez –

o reflexo

do reflexo

da visão?

Nathan Sousa

(Poema do livro UM ESBOÇO DE NUDEZ (Penalux, 2014))

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