O Homem de Toga e as Ratoeiras

O Magistrado

                                  Foto: Pinterest.com

Ele só amanhecia

A pesadelo,

Horas do sono

Passava a perseguir

Os bueiros e os tronos

Belos e fétidos,

E sempre acordava

No instante gordo

Em que ratos enormes

Devoravam seu rosto.

 

Assustado e suado,

Embalava a manhã

Com cheiro e sede de roedor

Nas artérias.

 

Ele tinha paixão

Por ratoeiras,

Fabricava-as

Com cada pote

E retalho qualquer

Deixados nos cofres

Em que moravam

Os seus.

 

Não eram ratoeiras

Pequenas

Arranjava sempre

Couro e aço

Suficiente para

Que seus antolhos

Confortáveis

Ajudassem a ver

Sempre o futuro

A roer pernas e costelas

Mal alimentadas.

 

O sucesso de suas ratoeiras

É que não capturavam

Ratos, nem dos grandes, nem dos pequenos.

Mas dilaceravam formigas nanicas,

Aranhas sem veneno,

Leões sem dentes e dedos

E até alguns pequenos roedores

Empalhados no tempo.

 

O desejo maior

Era afiar as ratoeiras

Até que nos rios

Conseguissem abocanhar

Os peixes que atravancavam

O bom e o perfeito mergulho.

 

Já os ratos e os tubarões,

Ele achava que deviam só continuar nos

Buracos e palácios de sal

Arrastando a podridão e os sonhos

Para dentro de si.

Márcio Leitão

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