O Tratador

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                                                                                Foto: Márcio Leitão

O tratador vendia os olhos

Toda manhã.

 

A cada peso vegetal

Que entornava nas jaulas

Trancava os ossos e as pupilas

Projetava os furos do seu maxilar

Nas grades, como se fossem

Só sangue.

 

O tratador vendia os olhos

Também ao entardecer.

 

Dormia escondido

Perto dos chimpanzés

Tentando despejar os dias

E encontrar alguma paz genealógica

Sonhando com a carne espetada

Junto aos cortes.

 

O tratador também trocava os olhos

Por cansaço

Comprava peles em contrabando

Como se fossem segredos

Que pudessem perdoar

A falta do frio.

 

O tratador

Só sabia atar medos

E perdas cegas

Em meio a tanto

Andar repetido.

                  Márcio Leitão

 

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4 ideias sobre “O Tratador

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