Romanço (Expedito Ferraz Jr.)

Romanço

 

 “O que ela havia feito estava feito, e era um alumbramento.”

Aníbal Machado, “Viagem aos seios de Duília.”

 

 

Ele pegasse um caminho de volta

atinando com sendas

pretéritas

preteridas

 impercorridas

deixadas pra trás.

Por amor de que esse um

que se desequilibra

e que tropeça e esquece

o nome a data

o sobrenome a cara

da pessoa distinta merecedora

da mais alta consideração

esse um que erra bem no responsório

das cantilenas ladainhas ditas de cor

bem se vê, ele não era nunca

esse outro algum

que se firma legítimo em seus nomes,

trapaçagens todas

da vida de regra e de ofício.

Que o de-fato, o de-fé,

que o de-à-vera, o desertor,

hora dessas deve estar é se apeando

odisseu de tudo

no copiar de Duília:

umaesmolinhapelamordedeus

perdoe moço qualquer coisa serve perdoe moço

nem que seja um lenço de cambraia engomado

uma carta esgarçada nem que seja

o papel rendado de traça labirinteira

com caligrafia e perfume lavanda

nem que seja um monóculo

empoeirado a lente riscada

a foto o filme dentro

desdessempre desdenunca

o sorriso embaçado

o grão sobrevivido

do que farta e farta

se ofertara a vida

e ele menino menino

(vontades todas trêmulas,

gestos nenhuns)

e ela sendo só o sol

que se guardou

nos olhos.

Expedito Ferraz Jr.

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