[quem sabe se estou certo…]

quem sabe se estou certo quanto à morte: ela é a força vigilante
que grita
da sua própria morte dentro ou fora a iluminar-se
da nossa morte a mover-se em si mesmo no fundo puro
cai defensiva dessa mesma morte que se estrangula por baixo
a morte como morte sobrepõe-se em cima inocente
e racha todas as mortes
que nos acodem
morte que nos socorre
nesses momentos mais terríveis da nossa vida pouco extensa
e a morte como força genuína profética
rasga de alto a baixo o gemido da morte que faz tremer
a morte que sobe lentamente loucamente
essa mesma força de morte vigilante
inclina-se dos lados rasgando
assim as coisas erradas
da morte em si fechada e aberta
– a nossa
se a amamos
a morte somos nós
a arrancar obscuramente o que pensamos ser a vida real
a morte é uma força em constante vigília
e está correcta

in, «noutros rostos», 2014, chiado editora

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