Poemas XXII de Líria Porto

desconserto

 

há dias de tanta chuva

no telhado uma goteira

ela pinga mágoa funda

bem em cima da lareira

a fumaça embaça tudo

passarinho fica mudo

ô vida besta

 

*

 

miragem

 

terrível amar as sombras

os fantasmas as ausências

 

estender os braços e só

achar o lençol no varal

 

*

 

ana joaquina

 

penúltima flor do lar inculta e inepta

por uma panela foste ao extermínio

puseste feijão no fogo o gás vazava

tudo subiu pra os ares – tu inclusive

Líria Porto

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