A TEIA

você levou seu cheiro da casa.

entre as cortinas, resta a janela opaca,
o brilho de sorrisos,
uma aranha tecendo, ora parada, ora nada.

enovelamentos de nicotina escrevem sutis,
na surdina, outras histórias de estranhas rotinas.
versos de volubilidade musical,
esquecimento, silêncio
e uma chama tragada com calma
pouco a pouco apagada
em camadas de calma.
variam, pausa a pausa, matizes de cinza
descolorindo o dia, aquela nuvem –
fúria contida, outra agonia.

você levou, pela porta da sala,
o medo e a vida.
a porta ficou ali, escancarada.

a liberdade,
flor esquecida na fresta,
entre o reboco da parede,
entre camada de tinta,
entre a massa corrida da vida,
deixou a cela.

resta a aranha, linha branca, ora presa, ora vaga.
resta a teia, ora venta, ora nada.

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