P O E M A

T A R E F A
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“O poeta se dirige ao silêncio.
E o diálogo, sua vida.”
(Lupe Cotrim)

De que é feito o poema,
senão do fermento hierático
da doida esperança
de dominar a pedra bruta da palavra?

Somos (des)feitos pela matéria perecível
da ilusão: âncoras dissolutas
nos dizem de portos inseguros.

Entre a mineral sisudez do verbo
que nos desafia,
e o silêncio a nos vencer,
restam
a ausência como tragédia insepulta,
o corpo latejando
pelo crepúsculo das certezas.

O verso
é onde cabe o reverso
das lutas

Nele converso
entre um luto
e o inverso

da vida adiada
e de outras verdades indelicadas.

Poesia contra a antipoesia
da imensa solidão que insulariza

e no deserto branco do papel
todo esplendor de uma versátil
inquietação.

RONALDO CAGIANO

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