Poemas XX de Líria Porto

assombro

 

vou-me embora para sempre

mas deixarei nesta casa

algo que ninguém tira

mesmo que lixem e limpem

o chão o teto as paredes

:

o meu fantasma

 

*

 

desmaio

 

desmalha-se

vive\morre pouco a pouco

floco de neve pétala

rio solto no despenhadeiro

poeira

cinza de borralho

 

(passarinho rompe o ovo

abre o olho pela primeira vez)

 

*

 

canto

 

esquina é dobradura

planta-se um poste

o cão se encosta

a puta espera

o mendigo esmola

o sábado explode

o luar entorna-se

o bar prospera

o bêbado vomita

a amor some dos olhos

 

ou aparece

 

*

 

oito e oitenta

 

quisera ter já não tem

destreza vivacidade

a idade impõe limites

o tempo é inexorável

então meu bem paciência

vovó demora mas chega

leva consigo seus (s)ais

 

*

 

fuga

 

quando tudo pesar e a carga for excessiva

dou um último apito disparo em cima dos trilhos

desapareço no mato

 

Líria Porto

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