Bordas

dizer do amor que nada se move
como naquela fotografia:

o lago do dragão, as velhas pontes
um Fuji-Sama de mentira
ardendo pequeno, desacordado
(impossível saber se sorríamos)

dizer, amor, que nada comove tanto
como os carros quando deitam suas luzes
sobre as frestas de um teto lento, insone

é quando tua falta me come
sórdida e vagarosamente
soprando a noite pelas bordas

Daniela Delias

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Este post foi publicado em Avulso em por .

Sobre Daniela Delias

Daniela Delias nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul. É autora de "Boneca Russa em Casa de Silêncios" (Patuá, 2012) e "Nunca Estivemos em Ítaca" (Patuá, 2015), ambos de poesia. Tem poemas publicados no Livro da Tribo, em revistas literárias e nos blogs de poesia "Sombra, Silêncio ou Espuma" (http://danieladelias.blogspot.com.br/) e "Alice e os dias" (http://deliasdaniela.blogspot.com.br/). É também psicóloga e professora universitária. Mora na Praia do Cassino, em Rio Grande, extremo sul do país.

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