[ter trevas nas mãos…]

ter trevas nas mãos arqueadas seria a ascensão da linguagem
interna
como o rosto sombrio a sair do próprio rosto
por cima rosto louco a tocar nos sentimentos dementes
ter espinhos na coluna vertebral a rasgarem o rosto
enlouquecido
pelos coloridos espelhos
a dissolverem-se na língua brusca insólita
e essa língua
é um vidro que estilhaça o escuro um outro escuro tímido
violento
as mãos rodeavam os incêndios terrestres
os dedos cantavam o rigor da matéria estrutural
onde se observam frutos pendidos
a dar um nome ao meu mergulho mental neste poema
ou o poema atravessa
num impulso
o poema que corta o quanto levanto nessas trevas obscuras
este é um poema furibundo
iluminado
como a dormir no medo que nos ouve a carne
o belo poder da carne vive ou rasga a nudez da cabeça
que grita barulhenta
um poema que toca músicas
agarradas à bacia às ancas às coxas húmidas ao sexo duro
aos olhos secos de lágrimas à cintura voadora
e o poema debaixo do meu silêncio florescendo a chorar

 

filipe marinheiro, em «noutros rostos», chiado editora 2014
.

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