LOUVAIN

Quem estará frente ao espelho
na noite saqueada?

Quem despirá a escuridão
desses corpos turvos medidos mudos petrificados
sumidas silhuetas noites de perpétuas sombras/
ancestrais penas?

Quem decifrará a carta suicida não escrita
mas salpicada de sangue
lançada ao vento/ ao mar/ ao espaço
em folha vegetal tão recortável minúscula?

Quem?

Ao meio-dia ousou ser a metade de tudo
o quanto não foi, nem sequer será ao certo e
andando entre as ruas com sua meia-sombra
num dia inválido impróprio com gosto de
fuligem barroca abstrata cena se curvou
para ver as horas e viu um relógio sem
ponteiros e teve pressa de não chegar
Panas And Echo
Panas and Pytis
The Cult of Pan

des
ceu
os
de
graus

bebeu toda água da clepsidra
adornou bonecos entalhados de madeira
mastigou as velas e o curto pavio do desprezo
anotou endereços de antigos colegas mortos só para atirar
nos jardins sementes de ipê roxo branco amarelo ou mesmo
girassóis que irão nascer no crepúsculo.

LEANDRO RODRIGUES

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Uma ideia sobre “LOUVAIN

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