P O E M A

V I A G E N S

Ronaldo Cagiano

Viajar é “limpar os olhos” – disse-me um poeta –

para a assepsia dos dias de deserto, insônia e angústia

que o ano de lutos & lutas

que os dias de apogeu ou fracasso

ordenaram na cronologia de nosso tempo

de exigências burocráticas,

de demandas compulsórias

do quotidiano bovino

com seu inventário de exaustões e fadigas.

Noutras latitudes o corpo se desintoxica

da insolência do passado recente

e o coração se reabastece da seiva necessária

para os novos confrontos.

Viajar, perder(se) (em) países

como quem se deserta para

é a direção para um outro reencontro.

Atalhar-se no desconhecido

para nunca mais insularizar-se

no seu “eu”, assim como,

entre nuvens,

os pássaros bifurcam para,

quando reencontrarem o sol,

alcançarem de novo o que parecia

perdido ou distante,

o horizonte em que se autentica

como criatura.

E nesse

lúcido retorno às raízes.

(moldura de leito, teto e descanso)

o chão onde suor e lágrimas

batizaram nosso destino,

é que nascerão os devaneios & beijos

que sustentarão o novo futuro,

instância em que se erguerá

essa nossa existência que se quer alada.

Cuenca, Equador, 25.08.15, 18:35h

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