Poemas VII de Líria Porto

atrelados

fui ao porto ao cais
de bar em bar
perguntei ao mar à areia
a todas as ondas
precisava reencontrar-te
destrocar as nossas sombras
ao partires a minha te seguiu
e teu vulto insistente
ainda me ronda

*

descompasso

a alma vai veloz em disparada
o corpo passo a passo não a alcança

caminhávamos felizes – de mãos dadas
naqueles velhos tempos da infância

*

in_segurança

para controlar o descontrole
cercou-se de espelhos
de retrovisores
:
viu fantasmas com mil olhos

*

iguarias

a vida passa vou dentro
enquanto nela eu couber
um dia para eu apeio
volto pra terra e sem jeito
serei banquete pros vermes

(tu também)

*

a poesia

insinua-se depois some
não sei onde nem por quê
quem me mata é esta fulana
que se esfrega num e noutro
oferece as suas tetas
a qualquer morto de fome
mas a mim raro se entrega
mesmo que eu sofra
ou rasteje

Líria Porto

 

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