A POEIRA DE AGORA

uma janela, um parapeito,
a poeira de agora somando corpos
os dias passam em vendaval
um homem sem asas
sem mal, sem sonho, sem sol
pura ânsia no arrebol

não há relógio
que conte o sempre
– não há relógio
disse o presente
– gire na sua mente
essa ampulheta dormente

um corpo amordaçado
sem sentido, sentado
no meio da sala
mais que uma boca
menos que um corpo
um fantoche
um silêncio
uma trama que cala
tudo imerso no passado
ecoa no corpo um caldo
um fado ressoa gelado
esse ato de soar
amargo

um muro invisível de palavras mortas
todas ditas
todas dormem
todas num homem
sem asas, sem corpo, sem fala,

um nada [             ]

passos leves no meio da alma
cuidado
– não desperte o impróprio.

um punhado de areia
nas mãos do tempo
um deserto sem nome

                   a d á g i o
i d í l i o  s u p l í c i o
s i l ê n c i o

nada se move
nesse plano dormente
além do muro cego de palavras
ali onde todo o amor falta

o corpo ausente
abraça o corpo que cessa.

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2 ideias sobre “A POEIRA DE AGORA

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