Retorno

Retornar é sempre ensolarado
Por mais que cupins e sonhos
Se alicercem ao redor carcomido por vezes
O amarelo perdoa e desprende-se do canto da boca
Invade o branco de pé
Surpreende a náufraga dolorida
Que morre seca e cedo procurando um mar qualquer
No horizonte.

Retornar é sempre truculência
Tempestade vã dentro do espelho
Coragem quieta no fundo da garganta
Contágio de serenos e de solidões.
A cada volta, a cada tremor no lago
Do outro lado do mundo e das sombras
Há uma sede e um anzol.

Eu retorno sempre
Perdido e com luas na boca
Só noite na língua
Provando o silêncio de ontem.

Márcio Leitão

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