MINHAS VERDADES NÃO SE SUSTENTAM

Minhas verdades não se sustentam.
Por isso atirei-as todas na gaveta
naquele quarto no fim do corredor
e esqueci as chaves
no pote de desavenças à esquerda do sal
e longe da luz.

Não vira árvore o que não se sabe.

Floresci parecenças.

Inventei vento na narina
memória.

Estudei o caminho de patos e peixes na lua
epifania.

Pousei mariposa na abóboda celeste
certeza.

Trilhei o istmo que une o meu mar ao seu
língua.

Ardi um fogo líquido nas pontas dos dedos
esquecimento.

Estendi o sol para secar
preguiça.

Namorei a contorcionista
poesia.

Sinto que me dicionarizei.

Quando achei as chaves
quando desenterrei a gaveta
quando entrei no quarto
não me encontrei nas cegas paredes

Havia deixado a cela vazia

– Acho que me esqueci lá fora…

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